domingo, 21 de maio de 2017

Aluna de Faculdade entrevistou



Entrevista Pedagogia e Filosofia

Professor Antonio Carlos Pereira Borba Rocha

a) Qual sua função Acadêmica ?

Eu sou professor de “Língua Portuguesa e Literaturas”, tenho 64 anos, me formei em 1983, na Faculdade de Letras da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lá também fiz Mestrado e Doutorado. Essa designação no plural “Literaturas” é importante porque o curso referido contemplava as Literaturas dos Países Africanos de Expressão Portuguesa. São cinco países: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe.

b) O que te levou a cursar essa Cátedra ?

Desde os 10 anos de idade percebi que eu queria ser escritor. Eu lia demais, sempre li, nessa época, na minha casa não tinha televisão. Então, além das aulas eu lia de tudo que aparecia nas minhas mãos, nas bancas de jornais, nas livrarias... hoje me considero “aprendiz de escritor” tenho 11 livros publicados de forma tradicional e 2 on line. Além de editar 5 blogs, 1 facebook, 1 twitter, todos ligados às Literaturas e às Filosofias. Colaboro ainda com três outros blogs, um em Belo Horizonte, outro aqui no Rio de Janeiro e mais um no Piauí. Totalizando, por enquanto, são mais de 100 mil visitas nos meus blogs. Já recebi contato de Macau, na China e de outros países. Mesmo assim, me considero um “aprendiz de escritor”, estou sempre aprendendo. Também sou palestrante e com frequência sou convidado para participar de seminários, conferências, debates os mais diversos em faculdades várias, congressos etc. Acrescento que tenho mais de mil artigos publicados em diversas mídias, já fui colaborador assíduo em diversos jornais como O Globo, Tribuna da Imprensa, Tribuna de Minas, Jornal do Comércio de Manaus – AM, Revista A Razão de Lisboa, Portugal, Jornal de Letras etc.

c) Quanto tempo exerce sua função?

Desde formado, já lecionei em colégios particulares, cursinhos preparatórios, Universidade Estácio de Sá e também como Docente I no Estado do Rio de Janeiro. Mas esclareço que o curso de Letras tem outras abrangências: já trabalhei como Revisor em editoras, em jornais, revistas, agências de notícias e agências de publicidade, empresas gráficas e similares. Consiste em prepararmos os textos para impressão ou divulgação nas mídias, prestando muita atenção na Gramática, por isso que sempre falo aos alunos, incentivo muito o estudo e a pesquisa na Gramática.

Perguntas Chaves

O que você entende por ética profissional dentro do seu ambiente de trabalho? Você percebe se são mantidas as relações éticas?

É algo básico para se viver bem, em todas as áreas. No âmbito educacional é importantíssimo. Ética e Moral são partes da Filosofia, assim tento ao máximo passar aos alunos reflexões sobre assuntos pertinentes à Ética e à Moral. Um dos exemplos de se fazer isso é que todo dia, quando entro em sala escrevo logo no quadro o “Pensamento do Dia” serve para todos pensarmos o bem comum, a vida com Ética e Moral. Curiosamente, às vezes esqueço e os alunos me lembram. Trago o pensamento de algum filósofo, de algum pensador da humanidade e também estimulo bastante os alunos a escreverem os seus próprios “Pensamentos do Dia” e recomendo estudarem na internet os pensamentos, as frases e trechos afins, pois nos enriquece muito. Com vistas a esse procedimento criei em um dos meus blogs um “jornalzinho artesanal” chamado “O Projeto”. Já tem mais de 5 mil visitas e apresento textos de alunos, professores, funcionários que gostam de escrever e pais de aluno que também gostam de escrever.

Na segunda parte da pergunta respondo que estamos sempre atentos e colaborando para que as relações Éticas e Morais sejam mantidas no ambiente escolar.

2) O que é emprego e o que é trabalho na sua concepção? Explique:

As duas conceituações acabam se confundindo. De certa maneira são sinônimas. Digamos ... de acordo com o Dicionário, emprego o meu tempo trabalhando em coisas que gosto, que me alegram. Sigo a Filosofia Budista e há um princípio no Budismo que gosto muito: “Um dia sem trabalho, um dia sem comida” então é preciso fazer algo, estar ocupado, estar empregando bem o precioso tempo. Como sou professor de Literatura cito sempre o escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) que certa feita disse: “Meu trabalho é meu repouso. Meu repouso é meu trabalho”. Assim estou sempre em criativa atividade e não me esquento a cabeça. Levo tudo na tranqüilidade, de forma Zen.

3) Você encontra no seu emprego o trabalho que queria ter ?

Sim, graças a Deus sim, gosto muito de escrever, não paro de ler e escrever, de pesquisar, escrevo no quadro em sala de aula, escrevo em casa, de forma profissional nos blogs citados, escrevo até nos livros que estou lendo, as anotações que faço. Uma vez, de brincadeira, disse para os alunos que vou pedir que coloquem no meu caixão um livro, uma caderneta de anotações e uma caneta; como faziam os antigos egípcios nas Pirâmides. Quanto ao “graças a Deus” é porque tive e tenho muita sorte de estudar sempre nesta vida, viajar por outros países que me aperfeiçoaram e muito. Estive na Inglaterra, França, Espanha (várias vezes), Portugal (morei um tempo lá) e Norte da África. Me sinto muito grato a Deus pelo muito que ele me ajudou e ajuda no gosto pelos estudos.

E acrescento que, financeiramente, estou feliz sendo professor e desenvolvendo outras atividades empresariais na minha área de formação.

4) Levando em consideração sua Cátedra, mudar é complicado? Acomodar é perecer ?

Com relação à minha cátedra não pretendo mudar, estou sempre me aperfeiçoando, melhorando, aprofundando pesquisas, sou um eterno investigador das Letras, Artes e Culturas. Agora “acomodar-se” em qualquer área é perecer, mas não é o meu caso. Já lecionei nos três turnos da vida: manhã, tarde e noite, e de madrugada, muitas vezes ficava preparando o meu mestrado e doutorado. Quero registrar que nessa época, minha esposa e minha filha me ajudaram muito, e entendiam os meus constantes estudos. Considero nós três, vitoriosos, graças ao bom Deus.

5) Você é volúvel ou é velho?

Eu respeito muito essas categorias que o educador Mário Sérgio Cortella aborda em seus importantes textos e vídeos. Mas eu prefiro criar a minha designação, pois eu também sou um pensador, eu estudei e estudo Filosofia, assim eu vou adotando os meus próprios termos. Por exemplo, quando jovem, a palavra volúvel não tinha uma boa definição, então eu prefiro me definir como “flexível”. Não se trata de preconceito contra o vocábulo volúvel, eu sinto que é mais bonito vivenciar a expressão “flexível” e até lembro de uma recomendação da Filosofia Budista, precisamos ser flexíveis como os bambus. Observe, vem uma ventania ele, o bambu, vai para um lado, vem outro temporal, ele vai para o outro, ele verga mas não se quebra. Em compensação vemos nas reportagens que determinada árvore com uma grande raiz e tronco foi arrancada pelo vendaval... Procuro então viver a sabedoria dos bambus: Flexibilidade.

Velho também, em relação à minha idade cronológica posso ser velho, mas estou sempre me flexibilizando, aprendendo com jovens professores, alunos e outros profissionais. Adoto o princípio: “vivendo e aprendendo”.

6) Algo mais a acrescentar ?

Sim, em primeiro lugar agradecer a você por essa excelente oportunidade de conversarmos sobre Pedagogia, Filosofia, Literaturas e Vida.

Em segundo lugar, em termos de metodologia eu procuro mais ou menos seguir a Pedagogia Summerhill, que é uma escola que vem da Inglaterra e tem sua correspondente em Portugal chamada “Escola da Ponte” e a “Pedagogia Waldorf” que vem da Alemanha e está ligada à Antroposofia. Gosto muito dessas correntes e vou aos poucos adaptando à nossa realidade brasileira, reconheço que é difícil, nem todos os alunos entendem. Minha proposta é fazê-los crescer, amadurecer e se tornarem pensadores, isto é, pensar a vida, pensar o trabalho e, em certo sentido, “pensar e filosofar”, para vivermos melhor, aprendermos melhor e sermos felizes.


















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