quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Jornalzinho de Outubro/2018.



O PROJETO
Junho/Julho/Agosto/Setembro/Outubro - 2018 – nº 66 – Pilar –
Jornalzinho Artesanal da Escola Estadual Assis Chateaubriand.   Duque de Caxias – RJ – Baixada Fluminense – Prof. Antonio Carlos Rocha.

            NOSSOS ALUNOS E O FOLCLORE
            Prof. Sergio Mesquita

            A comemoração do Dia do Folclore faz parte das atividades deste ano letivo. Assim, fizemos com as turmas 601 e 602 uma atividade sobre Folclore utilizando um texto recente de Literatura de Cordel, de 2013. Nele, se narra o encontro entre um madeireiro destruidor de florestas e um saci-pererê. Sobre o texto, anotei algumas OBSERVAÇÕES DOS ALUNOS.
Algo que eles em geral perceberam era a mudança na aparência e na apresentação visual do mito do saci no texto. As alunas Cauanne Rosa e Jessica (601) lembraram: “Porque o saci-pererê vem como redemoinho. [O] menino [do texto em cordel] aparece com cabelo arrepiado, pretinho como o carvão, [...] e fala que ele vinha montado num porco espinho”.
 As alunas Marcella e Karolayne (601) tiraram uma conclusão: “Mas na verdade era o Curupira, porque o Saci não monta em porco espinho, e o Curupira tinha mentido dizendo que era o Saci”.
As alunas Thayane e Kléo (601) concordaram em que a imagem tinha mais a ver com a do Curupira, e acrescentaram: “o curupira defende as matas e o saci não monta em um porco espinho”. Além disso, observaram que o texto também “tem erros de localização, porque a lenda do saci ocorre na região Sudeste e na história ocorre na região Norte”.
A aluna Kayllane (602) comentou em sua redação: “Essa história conta que a natureza é bela e não precisa ser derrubada para fazer shoppings, lojas, prédio etc. E assim as pessoas não passam mal e nem ficam tristes. [...] E fala do personagem: “O Saci-Pererê sempre traz alegria pras pessoas que ler[em] as suas histórias em quadrinhos ou em livros também.”
            Vimos nisso, e também na lembrança do Curupira como defensor da mata, a utilização tradicional do mito sendo reposta numa MENSAGEM ECOLÓGICA, atual para nossos tempos, que diversos alunos lembraram nos seus resumos, e que no texto funciona como uma “moral da história”, admitida pelo vilão no final: “[...] nunca mais quero saber de uma árvore derrubar/ a natureza é divina,/ o correto é preservar.
            Um dos objetivos dessa atividade era provocar a reflexão sobre as MUDANÇAS que, ao longo do tempo, o folclore nacional sofre, por influência dos novos meios de comunicação social (mídias), e da imaginação de novos autores, que acrescentam ou retiram detalhes da caracterização dos seus mitos. Também queríamos induzir os alunos a uma observação dos VALORES SOCIAIS abordados nas narrativas folclóricas, e a função desses mitos nas atitutes da sociedade que os cria e modifica.
            Dessa atividade de leitura e escrita, lúdica e reflexiva, estimulando os alunos a participar, tiramos essas CONCLUSÕES:
            - A cultura popular, como o folclore e suas manifestações, sofre MUDANÇAS ao longo do tempo e se ADAPTA às necessidades, às tecnologias e gostos das sociedades que a criam e a mantêm;
            - Essas mudanças não destroem necessariamente os elementos culturais, mas os rearticulam, ATUALIZAM e dão-lhes novos SIGNIFICADOS e UTILIDADES sociais;
            - Uma dessas utilidades sociais é a CONSCIENTIZAÇÃO ECOLÓGICA, especialmente para os mais jovens, numa época em que a destruição sofrida pelo meio ambiente é uma ameaça à vida de todos nós;
            - O folclore e suas manifestações, como a Literatura de Cordel, conservam seu valor cultural e social, desde que ACOMPANHEM as necessidades, as tecnologias e gostos predominantes na sociedade, a cada momento histórico.
            Parabéns às turmas 601 e 602, que desenvolveram conosco esse trabalho!      
            Texto utilizado: O encontro de um madeireiro ganancioso com o saci pererê, do cordelista Isael de Carvalho, 2013.
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Pensamentos e Reflexões:


*Importante: Todos os textos e ilustrações que aparecem no jornalzinho são colaborações inteiramente grátis de alunos, ex-alunos, familiares, professores, funcionários e demais interessados em somar para um Projeto Cultural que visa dinamizar a comunidade escolar e o seu entorno. Algumas imagens colhidas na web, são domínio público, tem sentido educativo. Se, por acaso, algum proprietário das imagens e/ou textos reclamar a origem, avise-nos que retiraremos . Agradecemos a todos (as).


* Cuide da sua Escola e dos móveis escolares, das paredes e ventiladores. Este estabelecimento de ensino é a sua segunda casa. Está sendo pintado, reformado para os 50 anos que a EEAC – Escola Estadual Assis Chateaubriand vai completar brevemente, meio século de vida dedicados ao Ensino Fundamental.

* Muitos alunos e alunas estão nos passando pensamentos, dicas, reflexões, provérbios que eles encontram na web, ou escrevem de suas cabeças, recriando algo já visto. Breve iremos fazer uma edição especial só com estes pensamentos do dia. É um belo trabalho de pesquisa literária.

* Por exemplo, neste mês de outubro estamos trabalhando com as turmas 601 e 602, as famosas advinhas. Normalmente parece um jogo, ou quebra-cabeça, mas, na verdade, é uma forma de Literatura Oral. Quando o ser humano ainda não havia criado a Escrita, o que imperava era a Literatura Oral que passava de boca a ouvido e os antigos povos reuniam-se, à noitinha, em torno das fogueiras e contavam suas histórias, advinhas e outros itens que vamos abordar mais adiante.